domingo, 2 de dezembro de 2007

Artigo de Nuno Markl

Meus amigos,
hoje vim ver umas das muitas contas de email que possuo e eis que me deparo com um artigo escrito pelo Nuno Markl, no qual eu me identifico e associo a muitas frases os bons evelhos tempos de uma adolescência passada em São Paio.
Ora então, aqui fica para quem quiser ler...
Um abraço,
JC
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A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quandol he falei no Tom Sawyer. 'Quem? ', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.
Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora. O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual... E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul. Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.
Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos: Ele nunca subiu a uma árvore! E pior,nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção. Confesso, senti-me velho... Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador. Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.
Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros. Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente. No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse. Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos. Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia. E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos. Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto. Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo. Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta. Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos. Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas. É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada. Eles andem aí!!!!

9 comentários:

Anónimo disse...

Não há dúvida que este texto se enquadra na perfeição no mundo actual.Cá para mim já vais levar porrada.

Anónimo disse...

Se em alguma parte do texto o Sr. Markl fizesse alusão a comunidade juvenil de Cascais… Este post fazia todo o sentido. Uma vez que se refere a “juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos” de uma forma geral… Num Blog de S.Paio de Mondego, o post é... vamos lá… Disparatado. Sendo que, a realidade dessa boa terra, felizmente ou não, ainda não é essa.
De qualquer forma é bom para acicatar as mentes mais adormecidas.

kordeiro disse...

Boas, Diogo...
Eu em alguma parte do texto disse que isto era a realidade de São Paio? O que eu refiro é que me fez lembrar a minha juventude. Tipo, as séries de televisão, as quedas de bicla, brincar na rua, o velhinho spectrum... mas já que falam nisso, há diferenças: quem é que no meu tempo não tinha uma Casal Boss, FAMEL ou Sachs?? Hoje ainda antes de tirar a carta já está o carro à porta... ou não é?
O texto serve simplesmente para recordar uma época passada por mim (sim, que já estou nos "intas"). Nunca disse que era a realidade de São Paio!
Um abraço.

Anónimo disse...

Eheheheheh,

Há quem só conheça "Casqué" (como dizem os franceses q nos visitam) há quem só conheça S. Paio, mas há q ser realistas, estas 2 terras integram-se no mundo... e se S. Paio tem um dos blogs mais bem organizados e com mais empenho que muitos blogs de outros locais, porque não, poderem divertir-se também com os artigos do Markl?? É que, Sr Diogo, S. Paio, faz parte de Portugal, da Península Ibérica, da Europa e consequentemente do Mundo... há pessoas de S. Paio q sabiam que haviam outros sítios além de S. Paio. E actualize-se... já lá vai o tempo em q as "juventudes" eram muito diferentes entre as grandes e as pequenas populações...
eheheheheh
BOAS FESTAS PARA TODOS!!

Anónimo disse...

Se o propósito do post é, unicamente, dizer aos leitores que o texto lhe traz recordações da sua juventude… Está muito bem.

Rosa…
Eu enquadro-me na faixa etária de que fala e, felizmente, já vivi um pouco dos dois mundos. Posso dizer-lhe que as diferenças ainda se fazem sentir. Portanto, não fale do que não sabe.

Zé Duarte disse...

Até gosto do vosso assunto.
E tudo o que dizem não deixa de ser a realidade,aminha já foi bastante diferente,menus escola mais trabalho,quando não se podia fugir del,as brincadeiras daquel tempo,tambem se metia o pé na argola,depois os bailes os consertos de musica estou a lembrar o aparcimento do Rok Portugês as discotecas mais saudaveis,mais educação e claro PÁZ e AMOR

BOM ANO 2008

Zé Duarte disse...

Até gosto do vosso assunto.
E tudo o que dizem não deixa de ser a realidade,aminha já foi bastante diferente,menus escola mais trabalho,quando não se podia fugir del,as brincadeiras daquel tempo,tambem se metia o pé na argola,depois os bailes os consertos de musica estou a lembrar o aparcimento do Rok Portugês as discotecas mais saudaveis,mais educação e claro PÁZ e AMOR

BOM ANO 2008

Anónimo disse...

Comentário muito rápido.

Continuo a dizer: As diferenças não são assim tão grandes e a tendência são para cada vez se notar menos. A juventude das povoações interiores frequentam outros sítios, e felizmente podem usufruir da paz da terra e da "confusão" dos pólos urbanos.
Lamento este meu curto comentário, mas... há trabalho a fazer...
Sr. Diogo, se eu não soubesse, tem toda a razão, eu não falaria...!
eu não estava a falar dos seus tempos de junventude, mas sim dos actuais..!

E termino desejando a todos um Santo e Feliz Natal e que 2008 seja um ano cheio de alegria...!

Um grande Bem Haja e continuem a fazer deste blog (q infelizmente não sou tão assídua como gostava) um blog cheio de temas interessantes!

Anónimo disse...

Sr. Nuno Markl estou aver k so sabes é de banda desenhada e de títulos de livros...