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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A tradição ainda é o que era...

Meus amigos,

Já lá vai a noite de Natal! Espero que todos tenham passado bem esse momento em que as famílias se juntam, umas mais numerosas, outras mais divididas, mas lá se arranjam todos à volta da mesa.

Os mais novos esperam que os seus pedidos sejam tornados realidade pelos mais velhos! Os de meia-idade, como eu, já nem sei do que esperamos… mas cada um deve ter no seu íntimo algum desejo, seja ele material ou não!

Relatando como era há uns anos atrás em minha casa, o jantar na noite de Natal era em família. Depois, o pessoal começava a dispersar para o descanso (ou seja, xixi e cama!), e eu ia até à povoação. Havia a hipótese de se beber algo no Café Craveiro, que normalmente mantinha as portas abertas nesta noite ou de se ir até ao pé do lume, os famosos cepos de Natal! A ordem era para perto da meia-noite começar o ajuntamento para se ir tocar o sino!

Olha, depois de um Natal em que tal não foi possível realizar, este ano, os cepos voltaram ao adro da Igreja a fim de dar cumprimento a tão antiga tradição. Patrocinado pela firma Madeiras de S. Paio, Lda, lá se transportaram os cepos, entre eles também o do sobreiro que caiu nas Ermidas, já em Janeiro do ano passado. O mesmo estava guardado para esta ocasião.

A população, principalmente a mais jovem, aderiu em massa à tradição.

Meia noite, hora de tocar o sino, com o Zé Alberto e o Paulito "Cascavel" na torre! E por ali se foram mantendo pela noite fora em volta dos cepos!

Um abraço,
JC



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tradições Populares - Fazer o bagaço...

Meus amigos,

Depois de um post que nunca são agradáveis de fazer, cá voltamos nós para vos mostrar uma tarefa própria de quem vive no campo e que aproveita os recursos que a terra dá.

Então, depois da vindima e vinho tirado, há que aproveitar o engaço para se fazer a bagaceira, vulgar bagaço.

Hoje em dia, o mais fácil e mais comum é carregá-lo e levar ao lagar para aí se “queimar” (destilar). É mais rápido e fácil…

Lá por casa, temos um alambique que foi herança deixada pelo meu avô Francisco. Já tem uns anos pois já foi trazido do Vale-de-Açores, no tempo que os meus avós lá viviam. Isto é, pelo menos ali onde está hoje, já conta com 50 anos. Mas aquilo é como as motas BMW.. só depois dos 70000 é que estão no ponto! Por isso, o resultado ainda é de luxo.

Esta prática tão antiga é hoje em dia punível do ponto de vista legal, mas também o que se produz mal dá para o gasto, quanto mais para negócio… eh… eh…

Para quem nunca viu, um alambique basicamente aquilo tem uma base que é a parte da panela onde leva o engaço, depois tem a cabeça e a parte da serpentina que está dentro de um tanque de água fria.

Como se prepara isto tudo? Com uma grande trabalheira…! Ora bem, primeiro de tudo é preciso lavar e limpar muito bem a parte da panela. Como a panela, assim como o restante alambique são de cobre, um produto caríssimo e raro que se usa para arear o cobre é a borralha / cinza da lareira. Com um pouco de água dá um “Cilit Bang” do melhor. Panela, cabeça, tubagem toda lavada e passada por água limpa. Depois está na hora de carregar a panela. No fundo da panela deve-se colocar um pouco de água e palha para depois o engaço ao ser fervido não agarrar no fundo.

Coloca-se o engaço para dentro da panela, e estando esta cheia chegou a hora de começar a selar / vedar todo o mecanismo. Coloca-se a cabeça do alambique e as juntas vedam-se com um pouco de barro. Como estão a ver, tudo material caríssimo. Cinza, barro…

Vedado e tudo limpo da porcaria que fica do barro, está na hora de colocar lume por baixo da panela. O que basicamente acontece é que quando a panela levanta fervura, o vapor quente que sobe para a cabeça do alambique é depois conduzido pela tubagem da serpentina e quando entra na zona fria da mesma, o vapor sofre uma condensação dando origem a água(rdente)…

O lume não pode estar “muito vivo” ou então a caldeira ganha muita pressão e há muito vapor que se escapa… O lume tem de ser brando, tem de se ir vigiando pois a saída do alambique deve deitar sempre um “fio” fino e constante de famosa bagaceira!

Um trabalho que requer alguma paciência, muitas horas (depende do tamanho da panela). Tem-se de se ir controlando a “força” da bagaceira. Normalmente deita-se um pouco de bagaceira que está a sair para cima do lume para ver se ela ainda tem força para “atiçar” o lume.. a outra maneira é directa: prova-se!

Para matar um pouco o tempo de quem vigia o alambique, aproveita-se a fruta da época, os marmelos e metem-se uns a assar no lume.

Meus amigos, se disse alguma barbaridade ou se troquei aqui alguns nomes, as minhas desculpas… as correcções seguem-se de seguida e são bem-vindas!

Um abraço que me vou recolher!!! Voltarei talvez com um “recordar é viver…”.
JC
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tradições Populares - Tirar o vinho

Meus amigos,

Hoje volto ao blog para vos mostrar algumas tarefas que ainda fazem parte do quotidiano da nossa aldeia.

Há dois anos mostramos aqui a vindima em todo o seu esplendor… este ano, damos continuidade a este tema, mostrando o que acontece depois das uvas apanhadas e esmagadas.

Assim sendo, depois do período de fermentação, o vinho é retirado dos tanques (ou outro recipiente onde foi esmagado), para os pipos, ou hoje em dia para vasilhas de inox. Os pipos têm de ser bem lavados de restos de borras que tenham ficado do ano anterior. Caso as vasilhas tenham estado vazias algum tempo, verifica-se se estão estanques. Normalmente, pequenas fugas são resolvidas com algumas horas em água (assim o inchar da madeira ajuda a vedar) ou então um pouco de sebo.

Os pipos, depois de cheios, ficam assim algum tempo ainda abertos pois o vinho continua a fermentar. Por vezes é necessário atestar com mais vinho pois a fermentação vai expelindo para o exterior algumas impurezas e cascas dos bagos de uva que tenha passado.

Por curiosidade, o tipo de fermentação que o vinho sofre é o mesmo tipo do que o pão sofre. A diferença é que no vinho o dióxido de carbono é libertado e o álcool é retido, no caso do pão é o contrário: o álcool é libertado e o dióxido de carbono é retido no interior. Por isso é que o pão tem aqueles buracos no interior. São as bolsas de gás (dióxido de carbono) que se formam. A maioria dos acidentes com consequências trágicas que ocorrem durante esta tarefa está ligado a esta reação química. Quando se houve nas notícias que alguém morreu num tanque de vinho enquanto esmagava as uvas, na maioria dos casos a morte não é causada pela inalação dos gases, mas por afogamento. O dióxido de carbono na maioria dos casos só provoca o desmaio da pessoa que ao cair inanimada acaba por se afogar dentro do tanque.

Tirado o vinho, fica o mosto que vai servir para fazer a aguardente vínica. Mas isto fica para outro post!

Um abraço,
JC
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Tradições Populares - Desfolhada do Milho

Meus caros amigos,

Entro agora numa fase ao estilo da fábula da tartaruga e da lebre: não vale a pena correr, o que interessa é partir a tempo... mas como esse tempo já passou, agora tenho de correr!

Como tal, vou publicando os temas aqui no blog pela ordem com que foram chegando...

Por isso, e aproveitando o texto e as fotos da Diana e juntando mais algumas enviadas pelo nosso repórter de campo, o Zé Alberto, vimos hoje mostrar que há tradições que ainda são o que eram.

O cultivo do milho continua a fazer parte do nosso dia-a-dia na aldeia. Este trabalho agrícola, chegada a altura de o apanhar e de o escamisar, proporcionava convívio e solidariedade entre famílias e vizinhos, pois ajudam-se mutuamente nesta tarefa, trocando-se os dias de trabalho ora na casa de um, ora na casa do outro. E chega para todas as idades!!!

Como o ano de produção foi bom mais uma vez se recordou outros tempos. Na eira as espigas eram muitas e o intervalo para a jeropiga, vinho branco e os figos era sempre o mais desejado.

No final, as filhoses acalmaram estômagos famintos num convívio de boa disposição.

Um abraço,
JC







segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tradições Populares – Cantar “Os Reis”

O inicio do ano trás a tradição de cantar “Os Reis”. Esta tradição põe fim à quadra festiva do Natal, e na qual se homenageiam os Reis Magos, o seu percurso até Belém, e toda a sua adoração a Jesus.

A Associação C.D.S.Paio, juntou-se na noite de sábado (dia 3) e manteve esta tradição popular. Bateu de porta em porta anunciando que os Reis Magos chegaram a Belém desejando a todos Boas Festas. Com o cair da noite, a boa disposição reinou entre o grupo, e para não se sentir o frio lá se foi bebendo aqui e acolá um copito de jeropiga (e que boa que era!).

As ofertas recebidas em dinheiro juntam-se a outros fundos e destinam-se a futuras obras na sua sede, tudo o resto, as chouriças, os ovos, a carne, o vinho, os figos secos, os chocolates, as conservas, serviram para no fim compensar todo o esforço físico e vocal e sobretudo porque “a paga vai na barriga”.

Aos músicos que se juntaram a nós: Arnaldo, Diana e Zé Duarte, Alexandre Cordeiro, e o Paulo Fernandes, animando e dando mais vida ao peditório desta Associação, o nosso obrigado.

A todos aqueles que nos abriram as portas de suas casas, que nos receberam e que contribuíram com as suas oferendas, desejamos votos de um Bom Ano de 2009.

A Associação Cultural e Desportiva S. Paio
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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Tradições Populares – A Cresta…

“No dia da Rainha Santa Isabel (04 Julho) vai à colmeia tirar o mel”

A extracção do mel das colmeias inicia-se nesta altura. É uma das tarefas mais trabalhosas da apicultura. Quase todos os apicultores da nossa zona se queixam da elevada quebra de produção, devido às condições climatéricas, aos incêndios do ano anterior nas matas, o que impossibilitou as abelhas de recolher o pólen.

Na cresta deixa-se sempre um pouco de mel para ajudar a sobrevivência das colmeias. Os quadros são desselados com uma faca própria, sendo seguidamente centrifugados no extractor. O mel é deixado em repouso e depois armazenado. Por fim torna-se a colocar as alças nas colmeias para as abelhas aproveitarem os restos de mel que ficaram agarrados aos favos.

Esta foi a tarefa de hoje. Este mel vindo da “Ferrugem” e do “Seixal” , pode apresentar-se com características diferentes, devido a ter sido obtido da mistura de néctares de varias espécies como: o eucalipto, a esteva, a urze, e por algum rosmaninho, a sua cor é castanha escura, com sabor agradável.

Dia de Cresta, é dia de correria e também de algumas ferradelas e ferrões, de mãos e roupa peganhenta, mas no fim do trabalho prova-se o delicioso mel com filhoses quentes ou em refresco com vinho.

* texto e fotos enviados por Cristina Duarte