Meus amigos,
Tenho muitas vezes de virar a cabeça de dentro para fora, como se faz com uma saca de batatas para arranjar assuntos para trazer para o blog. Mas felizmente aparece sempre qualquer coisa… uma foto, uma curiosidade, qualquer coisa! Basta depois juntar umas palavras e temos um texto novo a sair!
Hoje é um caso desses! Há uns dias, quando o meu primo João Paulo “do Café”, como carinhosamente era tratado por muitos, ficamos “amigos” na rede social do momento, o Facebook, vasculhei nas fotos que ele tinha por lá e houve um conjunto delas que me saltaram à vista! Vou falar de pesca!
Sinceramente hoje não sei como é! Não sei se tem muitos adeptos (tirado o Jacinto e o Alceu), mas há uns anitos atrás (digamos, uns 20!) éramos muitos! Por vezes, 6, 8 na ribeira do lagar, juntávamos na ponte, novos, mais velhos, todos tínhamos um tempo para ir até à pesca. Ainda hoje tenho o material todo lá em casa, a precisar de uso…Naquele tempo, nem era pelo peixe pescado, pelos barbos ou achigã que pudéssemos trazer para casa, mas era pela algazarra que era apanhar um peixe grande… discutia-se engodos, anzóis, fios, amostras, carretos (a recuperação do carreto…), iscos e afins!
Engodos caseiros, passava tardes a fazê-los! Além daquele engodo vermelho que ia comprar a Vila Nova, ralava amendoins e bolachas de aveia! Aquilo tudo amassado dava um potente engodo. Normalmente começava-se a engodar uma semana antes. Criávamos habituação no peixe! Era pescaria que corria bem. Valia tudo, pesca ao fundo, à bóia, fio atado na ponta do dedo para apanhar umas bogas… Pescávamos com milho cozido, minhocas (e aí o local de recolha das mesmas era sempre no estrume dos bois em casa do ti’Zé Neves), pardelha (para o achigã) e asticot (esse isco revolucionário, que mais não é do que uma larva!). Asticot, as larvas das moscas!!! Lá ia eu pendurar um balde numa oliveira com meia dúzia de percas num arame no cimo do balde e com areia no fundo. Passados uns dias lá estavam os bichitos...
Lembro-me de quando começou a aparecer a perca nas águas da barragem! Uma epidemia! Mas era giro ir à pesca! Achigã, barbos, pimpões, bogas, carpas, enguias, cágados… sim, cágados! Cheiravam mal como tudo! Parecia que tínhamos pescado uma bota. Um peso morto a ser puxado! Lembro-me quando o João apareceu com uma ferramenta para retirar os anzóis. Parecia uma caneta (não sei o nome). Ainda ninguém tinha. Era novidade no mercado… de Vila Nova!Outra situação engraçada, na qual nunca participei (cof… cof…) era a pesca nocturna (proibida) à enguia no areal do Barreiro! Muito giro!
Tempos engraçados, sem maldade (o mesmo não podem dizer os peixes)! Em São Paio ainda temos gente que participou no circuito nacional, o Alceu, o Daniel e o André! Acho que mais ninguém, mas se houve, digam!
Agradeço ao João Paulo que permitiu a utilização das suas fotos para ilustrar o texto. Resta referir que os peixes que vêm nas fotos foram todos devolvidos ao seu habitat natural (simplesmente levavam um furo no lábio, mas o piercing ainda está na moda)! Esta parte é importante e estou a falar a sério! E para concluir, são sempre tempos diferentes em que temos a possibilidade de disfrutar da natureza! Com calma... A nossa barragem tem recantos muito bonitos que são óptimos locais de relaxamento.
Um abraço! Até breve!
JC
