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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O inverno no campo...



Meus amigos,

Um pouco afastado das tarefas de blogueiro, mas cá estou novamente de volta para vos falar do que de melhor (e por vezes também o que de pior) se vai fazendo e tendo por S. Paio.

As tarefas do campo do principio de Inverno estão a acabar, a vindima foi feita, bagaço também e até a água-pé já foi aberta. O azeite já está nas vasilhas e este ano pelo menos acho que ninguém se pode queixar. A chuva veio na altura certa para assim “engordar” este fruto. Este ano, de uma maneira geral foi um ano de fartura de azeitona. Com rendimentos entre os 12% e os 16%, assim se fez a extracção da preciosa gordura a que chamamos de azeite. Não vos vou falar novamente de como este processo é feito pois já foi abordado em anos anteriores. Poderiam pensar que estava a ficar senil!
 
Os lagares estão a trabalhar a todo o vapor e parece que vamos ter mais um no concelho vizinho, em Arganil, mais precisamente na Relvinha. Também os lagares cada vez mais são sujeitos a fiscalização devido a ser uma actividade muito poluente quando não são cumpridos as regras. E depois, é um mecanismo todo em cadeia. Alguns proprietários recebem alguns subsídios para as oliveiras, mas depois para manter o subsídio têm de apresentar a documentação de como o azeite foi extraído num lagar homologado e devidamente legalizado. O cruzamento de dados pode ser complicado.

A chuva tardou a vir mas pelo menos agora a terra começa a ficar mais leve. Lá na costeira atrás da casa, o terreno ainda não está “empapado”. É assim a vida no campo. As lareiras já fazem jeito acesas pois com a mudança da hora, anoitece mais cedo e o frio cá por fora já obriga as pessoas a procurar o conforto do calor nos seus lares.

Por hoje não vos maço mais. Só um apontamento pelas 80000 visitas que atingimos no blog. Muito obrigado a todos e ao Alex também por nos ter felicitado. Volto com uma curiosidade de quem conseguiu apanhar um golfinho na Gândara! Estes animais são uns malucos….

Um abraço,
JC

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

NÃO LEMBRAVA AO DIABO...


...ver o pessoal da minha aldeia a varejar azeitona, a apanhá-la dos panais a “rapigar” cada galho, com mais ou menos 30º de temperatura. Com um sol escaldante que faz com que se escolha a melhor hora para ir apanhar azeitona, assim como muitos fazem na praia para não se queimarem em demasia…assim também aqui pela aldeia, anda tudo de mangas arregaçadas a apanhar azeitona.

O mundo está louco, os Deuses devem estar loucos, para que isto aconteça. Ainda recordo que há poucos anos, escolhia-se precisamente a altura de mais sol para se ir apanhar azeitona. Esperava-se que o sol derretesse alguma geada, espalhava-se os panais debaixo da oliveira e assim se começava o trabalho… Que raio se passa para agora ser quase preciso levar chapéu-de-sol para apanhar azeitona?

Como estão a mudar os tempos! Que mal fizemos a este planeta para estarmos a trocar isto tudo? Será que ainda vamos a tempo de mudar isto? Será que ainda vamos a tempo de alterar estas coisas que estão a acontecer? Será que nós próprios queremos? Será que os homens vão acabar por ceder e mudar de atitude?

Não sei dar a resposta a estas perguntas mas sei que a minha aldeia está estranha, as pessoas estão estranhas e o mundo parece-nos cada vez pior, sem capacidade para se renovar. É a crise, é o tempo, são os acontecimentos estranhos que a cada dia que passa mais acontecem. Muito sinceramente, é caso para começar a olhar para tudo isto com imensa preocupação. Não por nós que já pouco tempo cá andaremos, mas pelos outros que ainda agora estão a dar os primeiros passos e por todos os outros que estarão a caminho. Uma coisa vos digo, senão fizermos nada, tudo o que criamos e inventamos, pode entrar em colapso de vez!
______________

Um texto do Catela para reflectir...! A foto foi tirada no sábado e como podem ver, tempo limpo (e quente) e a azeitona já preta. Tive pena não tirar fotos a quem já andava a apanhar nela. Acho que hoje já começa a ficar mais fresquinho.

Próximo tema: 1º Passeio Equestre! Lá para sexta... 

Abraço,
JC 

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Trabalhos do campo...

Meus amigos,

Como o prometido é devido, cá estamos a iniciar uma nova saga: trabalhos do campo! Será mais lógico! Criou-se mais um tópico e está a andar de mota…!

Se todos os trabalhos do campo, sempre houve um pelo qual nunca morri de amores. Os restantes, com mais resmunguice ou menos, lá metia a mão na massa, mas há um que ainda hoje.. só se não puder!

Estou-vos a falar da apanha da azeitona! Obviamente que o tempo de apanhar a azeitona não é agora, é lá para Novembro! Ora, quando as ditas começam a ficar pretas, há que apanhá-las.

A maneira mais fácil seria usar um equipamento próprio que faz estremecer a oliveira e que assim faz cair a maior parte do fruto. Já vi fazerem mas sinceramente acho que aquilo não deve fazer bem nenhum à árvore. Por isso, fazemos o trabalho à moda antiga.

Primeiro, uns dias antes convém limpar o terreno à volta das oliveiras das ervas e afins que por ali teimam em crescer. Esta tarefa facilitará mais tarde a apanha de alguma azeitona que possa cair no chão, fora dos panais. Chegado o grande dia, começa-se por se estender os panais em redor da oliveira e depois tem-se de começar a “deitar abaixo” a azeitona. Lá em casa, tenta-se tirar toda a azeitona à mão. As oliveiras, tirando uma ou outra, também não são muito altas, devido à limpeza de ramos velhos e mesmo corte que levam na altura certa. Com a ajuda de escadas, (hoje de alumínio, mas ainda lá tenho duas feitas de madeira de pinheiros cortados na Gandara), lá se vai chegando a todos os ramos e assim retira-se a azeitona. Há umas pontas mais altas ou onde a escada não tem firmeza, então essas deitam-se ao chão com o auxílio de uma vara, a varejar de fora para dentro da oliveira ou então vai-se buscar a azeitona à Estrela d'Alva ou a S. Pedro d'Alva.

Este trabalho não é fácil pois o cansaço nos braços e as dores nas costas não tardam a aparecer. Outro perigo, como o trabalho é feito em cima das oliveiras, por vezes as quedas acontecem. Em nossa casa, o meu pai há uns anos veio em queda livre de uns 5 metros de altura. Felizmente caiu de pé, sem consequências de maior. Nem sempre é assim… As oliveiras, algumas delas com muita idade, partem facilmente nos ramos mais fracos. E depois como este trabalho é realizados por volta do mês de Novembro, é habitual as oliveiras estarem com humidade do orvalho que cai durante a noite ou mesmo da chuva, o que torna toda a ramagem escorregadia!

Deitada a azeitona abaixo, é hora de enrolar os panais e recolher o fruto. E assim se vai andando de oliveira em oliveira. No final do dia há que erguer a azeitona, que não é mais do que fazer uma limpeza. Há que separar alguma folha ou mesmo pequenas ramagens que estejam misturadas. Hoje há uns moinhos manuais para fazer esta separação, mas antigamente ainda me lembro dos meus avós a erguer a azeitona à mão. Apanhavam um pouco de azeitona e aproveitando a ajuda do vento, atiravam a azeitona ao ar. O vento levava as folhas e assim a azeitona ficava “limpa”. Quando a azeitona é boa, isto é, grande e gorda, e que já está toda amadurecida, o ideal é levá-la logo ao lagar. Quando é preciso aguardar uns dias, os métodos mais usados é colocá-la em recipientes com água ou então, espalhá-la e colocar um pouco de sal. Na última safra, a azeitona foi muita e boa!

A fase do lagar, ficará para um próximo post. Há que fazer render o peixe e assim vocês também não se chateiam de ler tanto!

Um abraço,
JC
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