segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Faleceu o Sebastião...

Meus amigos,

Neste sábado, a S. Paio, chegou a notícia do falecimento de Sebastião Cordeiro de Oliveira, nome que a muitos não dirá nada mas se o tratar por Sebastião "do Terreiro", já todos o identificam bem.

A foto que coloco aqui foi tirada no Domingo da Festa das Ermidas no ano passado. Há uns anos que não habitava em S. Paio, estando para os arredores de Lamego. Não deixava de visitar a terra que o acolheu durante a sua vida.

Trabalhou muito ano como carpinteiro numa oficina que ficava por baixo da casa. Já não é de minha recordação. Recordo-me sempre dele como uma pessoa pouco faladora mas correcta no trato. 

Contava com cerca de 90 anos de idade e vai hoje a sepultar na terra onde habitava presentemente.

O blog deixa aqui as nossas condolências aos familiares.

Volto breve,
JC


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

AUSTERIDADE


Meus amigos,

Sobre este tema e, devido à natureza dele não me vou alargar aqui no blog, achei um texto no Facebook no qual identifiquei muitas situações que aconteciam e acontecem em S. Paio ou das quais, ainda me lembro bem, dos meus avós e pais contarem... 

Achei um texto interessante!

_______

Era pequenino, ainda me lembro bem de ouvir dizer como era, com milhares de aldeias sem luz eléctrica, sem água canalizada e sem saneamento básico...
Ainda me lembro bem...

Na minha aldeia poucos iam à escola e não havia médicos nem automóveis...
Ainda me lembro bem...

Uma sardinha dava para três e carne só nos dias de festa.
Ainda me lembro bem...

Andávamos descalços, as casas eram frias e a água era gelada.
Ainda me lembro tão bem...

Na minha aldeia tínhamos luz da vela que nos iluminavam conversas em família, à lareira, até horas tardias, antes de nos deitarmos nas camas de palha, quentinhas, pois os animais, ali mesmo por baixo do soalho, aqueciam o ambiente.
Ainda me lembro bem...

Não tínhamos restaurantes, mas cultivávamos tudo o que comíamos, das hortaliças às batatas, do centeio ao trigo, das galinhas aos porcos, pelo que na nossa mesa a fartura poderia não existir mas também nunca soubemos o que era fome!
Ainda me lembro bem...

Na minha aldeia não havia banco nem empréstimos, mas sempre que algo era preciso os vizinhos estavam sempre ali, para nos ajudar a ir ao médico da cidade, para nos socorrer no incêndio ou para nos ouvir, simplesmente. 
Ainda me lembro bem... 

Na minha aldeia não tínhamos grandes superfícies comerciais, mas trocávamos tudo o que era necessário para não passar fome, não tínhamos financiamento para comprar uma caixa, a que lá na cidade chamam apartamento, mas todas as famílias construíam a sua própria casa, com a ajuda dos filhos, dos irmãos e dos vizinhos. No "dia da placa", parte mais dura da construção, todos apareciam para ajudar, a fazer a massa, acartar as vigas e espalhar o cimento.
Ainda me lembro bem...

Na minha aldeia não havia sindicatos, mas todos nos defendíamos dos desconhecidos, todos defendiam os mesmos valores sociais, todos condenavam quem ofendia o outro.
Ainda me lembro bem...

Na minha aldeia não havia União Europeia, mas havia a união das famílias, que se discutiam entre si e se defendiam perante os outros, que se amavam e cresciam, que se olhavam nos olhos e trabalhavam em prol de um futuro melhor. 
Ainda me lembro bem...

Na minha aldeia nunca imaginamos um mundo assim, com pessoas desesperadas por não terem emprego nem quererem trabalhar, por pessoas que preferem a ilusão da cidade ao realismo do campo, por pessoas que estendem a mão por uma esmola e outras que desviam o olhar, por pessoas que abandonam os idosos porque acham que estes já passaram de validade, por pessoas que ganham milhões e ainda criticam quem produz e ganha tostões, por pessoas que com nada se preocupam a não ser com o seu umbigo, por pessoas que mais parecem animais. 
Ainda me lembro bem...
______________

Lá para 2ª feira volto com notícias fresquinhas de S. Paio!

Um abraço,
JC

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tradições populares – Cantar as Janeiras


Meus amigos,

Chegou até ao e-mail do blog algumas fotos do que se passou no passado dia de Ano Novo em S. Paio.

Aproveitando a frase enviada pelo António Costa, há que não deixar morrer as tradições !

Com esse propósito, juntou-se um grupo de pessoas, maioritariamente feminino, e no dia 1, cantaram as Janeiras em S. Paio. Um grupo que se juntou espontaneamente e que percorreu as ruas da povoação.

Lá foram de porta em porta tocando e cantando as canções típicas das Janeiras, colhendo a simpatia e a contribuição da maioria das pessoas.

No dia seguinte, e para consumir algum do "material" que tinha sido recebido, juntaram-se para saborerar a tradicional chouriça com ovos.

Só um parêntesis neste texto do António, o que aconteceu neste dia, assim como em outras ocasiões que acontecem em S. Paio é de se enaltecer pois felizmente ainda somos de uma raça (desculpem a palavra mas é o que eu sinto) que não estamos à espera do próximo para fazer. Há pessoas com iniciativa, há pessoas válidas, há uma aldeia com vida e uns arrastam os outros... Se é para partir uma montanha, não há picaretas, vai ao murro, mas a montanha não fica lá de certeza... É esta fibra / raça que admiro na gente de S. Paio! 

Parabéns pela iniciativa!


Um abraço,
JC

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Divulgações - Tuna S. Martinho - Janeiras

Mensagem da Tuna de São Martinho: "Junto envio o nosso programa das Janeiras 2012.

Pedia o favor de o divulgarem.

Atenciosamente

P`la Tuna de S. Martinho
(Ricardo Pereira)

Votos de um Feliz Ano Novo da Tuna de S. Martinho."

:
Sobre o assunto das Janeiras, volto muito em breve ao blog para vos falar do que de melhor se faz por S. Paio!

Abraço,
JC

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tradições Populares - Os Cepos de Natal!


Meus amigos,

Tal como vos prometi, volto hoje ao blog para vos falar de tradições populares que alguns teimosamente e muito bem, não deixam esquecer: os cepos de Natal!

Ora, segundo a Wikipédia, “os madeiros, lenhos, cepos , galheiros, fogueiras do natal ou fogueiras do Galo, são grandes fogueiras que se acendem no centro da aldeia, na praça principal ou no adro da igreja na véspera de Natal. (…)“.

No caso de S. Paio, os cepos já conheceram vários locais. Eu lembro-me de se fazer junto ao Chafariz, junto à Junta, em frente ao Arnaldo (cepos que o António do Cruzeiro cuidava da manutenção deles… ou seja, sempre com brasa) e por último, no Adro da Igreja. Este ano também havia cepos no Carril.

Continua a wikipédia, “(…) A tradição começa com a recolha dos madeiros , que é feita pelos rapazes da terra, durante a noite em alguma regiões. Na noite de Natal depois da missa as gentes da aldeia reúnem-se à volta da fogueira para dançar e cantar (…).

A recolha já não será feita durante a noite (isso dá um trabalho danado e está frio…). Na noite de Natal, isso sim a malta reúne-se em volta da fogueira mas para beber um copo. Aproveita-se para se ir tocar o sino a anunciar o nascimento de Jesus e depois é ver até que hora se resiste ao sono. Ainda me lembro, na noite de Natal se ir até ao Café Craveiro e fazia-se “excursões” até ao adro. O ti’ Jerónimo ou alguém da família aguentava sempre ali umas horas.

Voltando à famosa wikipédia, “(…) Em muitas aldeias, estas fogueiras eram mantidas acesas ininterruptamente até ao Dia de Reis. A tradição do madeiro tem origem nos cultos pagãos, na celebração do solstício de Inverno, em que se acendiam enormes fogueiras ao ar livre. Era tradição, em algumas regiões, que a lenha, os carros para transportar, e as respectivas juntas fossem roubados. A celebração faz parte da tradição dos Roubos rituais , das fogueiras dos Santos populares e das fogueiras da Páscoa (…)

Também ainda me lembro de manterem os cepos acesos, pelo menos até ao Ano Novo (especialmente nos que acendiam junto ao Arnaldo). Este ano as condições dos cepos (muito secos) e o tempo que se fazia sentir (pouco húmido) levou à rápida combustão dos cepos, mas o que interessa é que manteve a tradição.

O Zé Alberto, mais um ano, foi o maquinista de serviço. Nos cepos que estavam no Carril, não sei ao certo quem foi o responsável (Álvaro? Carlos?) mas contribuiu fortemente para o embelezamento desta época.

Um abraço! Até breve!
JC

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

FELIZ ANO NOVO!?

Bonne Année
Glückliches Neues Jahr
Bon Any Nou
Happy New Year

Xin nian yu kuai

Feliz Año Nuevo

Bonan Novjaron
Feliz Aninovo

onnellista Uutta Vuotta

Blwyddyn Newydd Dda

Kainourios Chronos
Shanah Tovah
Gelukkig Nieuwjaar
Boldog Ujevet
Selamat Tahun Baru
Farsflt Komandi Ar
Buon Capo d'Anno
Akemashite Omedetou Gozaimasu
Annum Faustum
Godt Nytt Ar
Szczesliwego Nowego roku



Meus amigos,

Antes de mais, Bom Ano para todos!

Ontem o dia amanheceu e já está! 2012...! Pumba…! Já??... é assim: já estamos em 2012… Ainda me lembro de quando o ano 2000 era uma miragem e que o Mundo ia acabar.

Ontem foi dia de fazer a lista de coisas a fazer ou melhorar neste ano!

Nada de novo… ser uma pessoa melhor (mesmo ás segundas-feiras!), mais tolerante, mais paciência…

Enfim! Promessas que depois farei o balanço no final. Acima de tudo temos de ter esperança e motivação! Se não houver motivação, quem é que a vai ter? Se não acordarmos todos os dias com a garra de partir a montanha, quem é que o vai fazer? Não há um retroescavadora, vai ao murro… não vai à primeira, vai à segunda! Desistir é que não… E se não for esta motivação, o que fazemos?

Há que andar para a frente! Temos uma aldeia cheia de gente bonita, que ajudam a embelezar esse bocadinho de terra. Empurra daqui e dali, e há que andar para a frente. Crises já houvera muitas, os nossos pais e avós viveram toda a vida sem um ordenado, simplesmente do comércio quase directo, criavam em casa, vendiam alguns produtos nas feiras ou aos vizinhos e assim faziam circular os artigos e viviam o seu dia-a-dia.

Não sei se fizeram essas promessas de início de ano, mas não se esqueçam que elas dependem unicamente e exclusivamente de nós mesmos.

Feliz Ano Novo!
Volto brevemente... talvez amanhã!

Uma abraço,
JC


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL...


Meus amigos,

Venho ao blog simplesmente para vos deixar uma mensagem de Natal, nesta quadra tão especial!

Todos os dias do ano que agora está quase a terminar, vocês estiveram presentes no meu pensamento (uns mais do que outros, obviamente...), alguns fizeram-me sorrir, as palavras de outros confortaram-me, outros nem por isso, mas é com todo o carinho que desejo A TODOS um Natal repleto de alegrias, todos os vossos sonhos se concretizem.. se não for neste Natal, que seja nos próximos! 

Hoje não é dia para grandes textos!

Feliz Natal!!! A prenda maior que vos posso dar, é continuar atrás deste teclado!

Um abraço,
JC

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Quem és tu, Zé Gato..?


Meus amigos,

Era o nome de uma série que passava na televisão, acho que agora dá na RTP Memória, já há uns anos valentes, com actores que hoje alguns já faleceram, outros já são avós!

Antes de esta série aparecer, já nós por S. Paio e arredores sabíamos quem era o Zé Gato! Vive num dos Casais que a freguesia tem denominado por Vale das Ermidas (para o ano vou fazer um post sobre os numerosos Casais que existiram na freguesia e que muitos estão completamente destruídos ou outros que estão debaixo de água).


Quem cedo começa, tarde acaba e assim, Zé Gato farto de ver a placa que indica o nome do local onde habita, partida e derrubada no chão, meteu mãos à obra e construiu um novo assento para ela. No entroncamento, situado mesmo em frente ao Talho e Mini-mercado da Graça, lá está de novo a placa, visível, de utilidade pública! 

Não sei se foi a prenda de Natal do Zé Gato para a Freguesia, mas ficou muito bem! 

Já agora, a placa que indica a Gândara de Cima está também toda partida...

Um abraço ao Zé Gato! Ainda volto antes do Natal!

Até já,
JC

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Arquitecturas... ou melhor, arquiteturas!




Meus amigos,

Hoje volto ao blog para vos falar, como prometido, de arquitecturas. Como devem reparar, há alturas em que as notícias não abundam, e no final do ano também é mais complicado para mim dedicar algum tempo à escrita. As ajudas são sempre bem-vindas e há assuntos aos quais nunca dei importância mas que alguém me desperta a curiosidade e faz com que eu me mexa…

Foi o caso deste texto e da última vez que fui a S. Paio, o meu primo Zé comentou comigo que a Virgínia do Chico Bento lhe falou sobre os balcões de pedra que existiam antigamente nas casas e os quais se foram perdendo no tempo!

Dando uma volta por S. Paio facilmente encontramos e reparamos em alguns exemplos desta bela arquitectura. Acredito que antigamente seriam muito mais mas foram dando lugar  ao cimento.

Estes balcões são normalmente construídos em granito. Penso que são uns dignos guardiões de histórias. Por cada um que vi nem imagino as gerações que já passaram por aquelas pedras. Para muitos seria um lugar de eleição para sentar um pouco a descansar ou a apanhar um pouco de sol e trocar algumas palavras com um vizinho ou parente. Acho que elas guardam essa história… outros tempos e gentes!


 
As pedras desses balcões estão gastas e o tempo agrava o seu estado… também a nossa memória vai ficando apagada.

Um abraço,
JC

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Comércio ambulante.. porta-a-porta!



Meus amigos,


Volto ao blog para vos falar, não de um tipo de comércio que ainda hoje há e do qual o ti' Jerónimo Craveiro e depois o Alcides se dedicaram, que era a venda ambulante de terra em terra com uma carrinha que é um autêntico mercado sobre rodas, mas de uma arte e pessoas que são os amoladores. 

 Não sei com que frequência por lá aparecem mas, de vez em quando, lá se começa a ouvir uma flauta de pã de canos ou plástico como apito, chamada em espanhol de chiflo, a qual sopra fazendo soar suas tonalidades consecutivas, de grave a aguda e vice-versa, a anunciar a proximidade do amolador! Também é conhecido pela arte de reparar chapéus de chuva.


Foi o caso de sexta-feira passada, o amolador andou a percorrer as ruas da freguesia para oferecer seus serviços de amolar facas, tesouras e outros instrumentos de corte. Montado na sua bicicleta, já de estilo “montanha” (em substituição das famosas pasteleiras), esta tem montado o esmeril mecânico com uma pedra de amolar. Para a fazer girar, basta para isso colocar a roda traseira da bicicleta sobre o cavalete, meter uma correia  que vai da roda traseira ao esmeril e dar aos pedais. 


Havia, e ainda há, a crença de que o amolador anuncia chuva… e parece que no fim-de-semana choveu qualquer coisa!

Mais uma situação do nosso atento repórter!

Volto com arquitecturas!

Um abraço,
JC