segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

E quase tudo o vento levou…


Meus amigos,
Um fim-de-semana escolhido ao pormenor para visitar S. Paio!

Mas posso relatar mais ao pormenor a minha ida à aldeia! Saio sexta-feira de casa por volta já das 21.30. Avisos de temporal, mas vamos ver o que a estrada nos reserva…

Mal saio de Lisboa, as rajadas de vento e chuva na Auto- Estrada colocavam à prova a integridade do carro e atenção do condutor (estava sem cafeína mas os abanões fizeram o mesmo efeito). Zona de Torres Novas, Fátima a situação agrava-se… Acalma a seguir de Pombal e chego a S. Pedro d’Alva para reconfortar o estômago, e não se passava grande coisa… chuva, até mansa, sem meter medo! A seguir à 1 hora da madrugada é que esqueçam aquilo que acabei de escrever, ou seja, o “sem meter medo”! A chuva intensa, o vento forte fazia partir tudo e levantar tudo onde conseguia pegar! Os contentores de lixo entraram numa dança ao sabor do vento, as árvores aguentavam até poder mas muitas foram aquelas que vergaram e partiram. O problema dos pinheiros secos foi um dos maiores causadores de destruição na aldeia. A limpeza não é feita, mata ao abandono… uma nota de importância: no arraial das Ermidas não aconteceu nada. Normalmente ficamos logo a pensar que os eucaliptos centenários não vão aguentar mas o que é certo é que correu tudo bem e simplesmente vi muita casca e uma ramada pequena no chão. A manutenção de que têm sido alvo é fundamental para este resultado. Ou seja, no arraial Eucaliptos-1, Vento-0.

Escusado é dizer que a corrente elétrica falhou na noite de sexta e só voltou a parte da aldeia no sábado de tarde. Na zona das Ermidas até ao Victor “Serralheiro” não havia até ontem à tarde assim como no Forno e no Vitor Bandeira também não.

Comunicações móveis e fixas tudo sem funcionar a não ser só em algumas zonas que se conseguia ter rede de antenas de outros concelhos.

Havia linhas telefónicas partidas assim como alguns cabos de electricidade no chão. Na recta logo a seguir à serralharia do Vitor, o cabo estava todo no chão devido à queda de um pinheiro grande sobre a mesma. Alguns esticadores das baixadas da corrente eléctrica às casas também rebentaram ou saltaram fora do sítio.

A barragem está quase na cota máxima, as barragem da Aguieira e Coiço a descarregar o que faz com que na zona de Vila Nova e a jusante, o rio vá cheio.

Telhados levantados, muros deitados a baixo ou incidentes do género, pelo menos em S. Paio não vi ou ouvi contar. Uma estufa destruída e lá em casa, Couves-0, Vento-2!

Muita casca de eucalipto, pequenos ramos e folhagem, é o que se vê nas estradas. A limpeza é fundamental para desobstruir as valetas.

Ontem foi um rico dia de chuva! Pensava que o tempo aliviava pois na noite de sábado o céu até estava limpo e estrelado, mas o dia acordou a chover e outro dia não se teve pelo menos até à hora de eu me vir embora! É assim.. o Homem não manda nada!

Até já,
JC

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Faleceu o Ti Zé Sevilho...

Ontem faleceu o José Cordeiro, o nosso mais do que conhecido JOSÉ SEVILHO. Durante toda a vida, carregamos imensas mágoas, umas maiores do que outras mas sendo sempre mágoas. Hoje é mais um daqueles dias a que nos vamos ter que nos habituar a que se tornem mais recorrentes do que desejávamos. O tempo passou por nós e está a passar cada vez mais rápido por todos aqueles que connosco partilharam as suas vidas.
 
Ontem, morreu um homem grande, de palavra, daqueles à moda antiga, dos que não choravam, dos que ”podiam ver as tripas de fora”, dos que a vida calejou as mãos e o coração, dos que não voltam nunca mais. Ontem, também morreu um amigo muito mais velho, que me ajudou, que me apoiou, que me defendeu.
 
Fiquei mais pobre, fiquei mais triste, mais só, mais apreensivo em relação à vida, mas a compreender cada vez melhor a nossa importância neste mundo terreno. Falei há bem pouco tempo com ele e estava feliz apesar de tudo. As marcas que a vida lhe tinha feito, tinha-as lá todas e por isso desabafava quase que às escondidas no café, que agora exploro em S. Pedro de Alva. Como era bonito sentir que não queria ser pesado a ninguém, que não queria ser só mais um velho. Assim lia a Comarca de Arganil e procurava comentar comigo as notícias. Continuava tão interessado na vida da região como se de um rapaz novo se tratasse e manifestava a sua opinião.
 
Hoje, já começo a sentir a falta daquele que já quase sem poder, foi das últimas pessoas deste concelho a ter luz em casa. Foi um lutador, um sofredor, viu partir muito antes dele um filho e uma filha e acima de tudo foi incansável na sua luta. Acreditou, lutou e acabou por merecer tudo o que a vida lhe deu. Por isso Zé Sevilho, já que não mais nos vamos ver na tua adega à moda antiga, de terra batida, onde dormias as tuas sestas, tentei desta forma prestar-te a minha última homenagem, dedicando-te estas palavras.
 
Descansa em paz, porque a tua vida foi plena na terra e Deus, terá sempre um lugar para os homens justo no Céu.
 
* António Catela
 
Completando o texto do Catela, no qual não quis alterar nada porque acho que é uma justa dedicatória a um Homem que conheci de bem perto, quer dado ás relações familiares que existem entre ambas as famílias assim como do lugar onde habitou grande parte da sua vida ser próximo da minha casa. O caminho para o Barreiro fazia-se muita vez com uma paragem estratégica em casa dele nem que fosse só para beber um pouco de água fresca de um cântaro de barro que tinha sempre ao fresco na sua adega de que já se falou aqui.
A foto que coloco aqui foi tirada no verão de 2009 (se não estou em erro), num dia quente em que foi a última vez que estive com ele na sua adega. Voltei a casa dele mais algumas vezes mas não com a calma daquela tarde do dia 16 de Agosto. Lembras-te Catela?
Tal como as pessoas do tempo dele, tinha sempre histórias, passagens para contar… Fechou-se uma enciclopédia humana muito rica, com muito saber!
O ti Zé Sevilho celebrava amanhã 94 anos de idade.
O blog de S. Paio envia os mais sentidos pêsames a toda a família! Zé Alberto, um abraço.
O funeral do ti Zé Sevilho será realizado hoje pelas 16H.
Um grande abraço.
JC

sábado, 12 de janeiro de 2013

Cantar as Janeiras - Tuna de S. Martinho

Meus amigos,

um pedido de divulgação que chegou ao nosso blog.

À semelhança de anos anteriores, aqui fica o programa das actuações da Tuna de S. Martinho. Quem os quiser ver e ouvir cantar as Janeiras, aproveitem!

Um abraço,
JC

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Declaração de existências de animais da espécie ovina e caprina

Meus amigos,

Durante o mês de janeiro decorre o período obrigatório de "Declaração de Existências de Ovinos e Caprinos (DEO/C)", conforme Aviso do Senhor Diretor-Geral de Alimentação e Veterinária (ver imagem).

Fica o alerta!

Até mais logo,
JC

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mais um ano passou na aldeia...


Meus amigos,

Nove dias passaram já do mês de Janeiro! Desejo um excelente 2013 para todos!

A vida na aldeia pouco muda com ou sem a crise! Sempre me lembro dos meus avós levarem a vida deles indiferentes a tudo. O dia nascia, havia o trabalho agrícola para fazer, animais para tratar…  os dias passavam uns atrás dos outros.

Li há uns dias numa página do Facebook a seguinte frase: “Luxo é ter o que poucos conseguem viver. Viver na aldeia é, cada vez mais, um luxo”. Eu sorri… porque quem está fora, entende o sentido da expressão, quem vive na aldeia provavelmente muitos dias nem se lembra deste pormenor.

A aldeia é um sítio pequeno, onde todos se conhecem, onde tudo se sabe, onde se sabe onde este ou aquele vai ou foi, o que aconteceu ontem, a que hora chegou o vizinho a casa ou quem fazia barulho às 5 da manhã na estrada… E pergunto eu, e será assim tão mau? Saturante…? Por vezes acredito que sim... mas isso passa! 

Eu vivo num bairro com meia dúzia de ruas, conheço alguns vizinhos de passagem, os colegas do ginásio aqui no bairro (tenho de arranjar uma horta para cavar!), no prédio somos 20 fracções, estou cá há 11 anos.  Não conheço metade deles e alguns dos que conheço não foi pelas melhores razões. Posso ir ao café que não encontro o Tóino, o Zé, o Manel, etc… encontro alguns desconhecidos ou aquele sujeito que simplesmente cumprimentamos. Mas é diferente do cumprimento que eu sempre fui habituado a fazer na aldeia! Sempre me disseram para falar a todos! Será assim tão mau viver na aldeia…?

Está aí um mais um ano! Aproveitem e desfrutem da aldeia. Retirem dela o melhor que este sítio tem. E quem está fora, não esqueçam as raízes! Há sempre alguém para vos receber, há sempre um sorriso à vossa espera…

Um texto um pouco estranho para princípio de 2013 mas vem aí coisas mais engraçadas.

Até já,
JC

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Noite de Natal...!

Meus amigos,

Volto depois de mais um Natal! Espero que tenha sido uma noite um pouco diferente do resto do ano, mas que a repitam ao longo de 2013.

Este ano a chuva apareceu à noite mas não foi forte o suficiente para apagar da nossa aldeia uma tradição antiga: o cepo de Natal. Mais um ano que se acenderam os cepos no adro da Igreja Matriz que se mantiveram acessos até à manhã de Natal.

A missa este ano foi celebrada às 22 horas do dia 24, substituindo assim a missa do Dia de Natal. Foi quase uma missa do galo.

Com a celebração a acabar já tarde, os cepos deram muito jeito para todos se aquecerem ou à entrada ou saída da missa. Nem o Senhor Padre falhou…

À meia-noite é preciso anunciar o nascimento do menino Jesus e o sino tocar! E assim foi…

O Dia de Natal amanheceu sereno e fresco…! Restavam alguns troncos e cinzas para fazer história!

A tradição manteve-se! E muito bem!


Ainda volto antes do final de ano!

Abraços,
JC

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal!!!!

Meus amigos,

Hoje não poderia deixar de vir ao blog…

Estamos em véspera de Dia de Natal.

Um dia que deverá ser de sorriso estampado no rosto, mesmo que não tenha grandes motivos para o fazer ou se a vida tem sido madrasta… Temos de viver e celebrar este dia!

Na Aldeia, continua a ser diferente… a família chega da cidade (ou lá de fora, como se diz…) e reúne-se em casa dos familiares.

O pão foi cozido e talvez alguém tenha tido a sorte de ainda o apanhar quente. Há sempre qualquer coisa para se começar a petiscar, nem que seja um pouco de presunto. O vinho, as garrafas deram lugar ás jarras que antigamente se iam encher ao pipo. Ainda me lembro do chiar da torneira…

Os doces também enchem as mesas! Arroz doce, umas broas doces, as filhoses (onde não podia faltar um pouco de aguardente durante o amassar). Depois o bacalhau, quem terá a sorte de ainda o cozinhar na panela de ferro? O sabor é outro…

Enfim, é um dia para se esquecer uma palavra tão banalmente usada durante o último ano que simplesmente tem 5 letras e começa por um “C” e acaba num "E"… É um dia que convém as pessoas se lembrarem que não são imortais. De que vale andar às avessas com um vizinho ou com o familiar…? Nada…! Um tempo de partilha! Nem que seja um abraço ou uma palavra!

Por falar nisso, partilho convosco o que a Sílvia Marceneiro partilhou com todos quantos passam em frente à casa dos seus pais: um presépio feito de materiais do dia-a-dia! Com toda a simplicidade, ela ofereceu a todos uma prenda… para muitos ofereceu um sorriso que fez despontar na cara de cada um! E mais!!!!!.... Ainda com burro e vaquinha!


É Natal!!!

Não será só hoje ou amanhã… Como diz o ditado, é quando um Homem quer! Aproveitem o que a vida vos oferece! Isto vale a pena!

Um Feliz Natal para todos!

Um abraço forte e sincero,
JC

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Num curral por S. Paio...


Meus amigos,

Este fim-de-semana dei um salto à aldeia… as estadias são curtas para tudo o que uma pessoa queria fazer, para dar atenção a todos quantos a merecem, para dar nem que fosse um simples abraço a todos que queremos…

Cumpri alguns dos objectivos que levava, embora que eu não seja uma pessoa de muitas organizações… É normal em mim: qualquer semelhança entre aquilo que tenho planeado e o que acontece, é uma mera coincidência se existe algo que bata certo! Se a vida nos surpreende a cada momento, para quê ter uns planos aprofundados sobre a mesma… O vento também sopra cada dia de seu lado!

Bem, mas com tudo isto, tinha um recado no Val-das-Casas para passar em casa da Fernanda Pinto. O meu pai só me disse que ela tinha lá uma coisa que me queria mostrar.

Outro parêntesis no meu texto: já há muito que deixamos de ter uma aldeia completamente dedicada à agricultura e pecuária de subsistência. Será que foi uma evolução? Não sei e tenho uma opinião sobre o assunto que alguns conhecem e pela linhagem que este blog segue por vezes é muito fácil de saber qual é, mas não passa disso mesmo: uma opinião pessoal!

Que tenho saudades de uma arranca das batatas, com a merenda a meio da manhã de filhoses com mel, peixe frito e um tinto no meio da terra, tenho sim senhor! Que tenho saudades de uma malha de trigo e centeio ou de ir para cima da saudosa máquina de malhar o milho do ti’ Zé do Pátio, também é verdade, mas tudo muda e quem não se adapta… ou vence ou morre!

Mas isto tudo para dizer que no Domingo passei por casa da Fernanda! Quando não é o meu espanto que ao fundo do terreno dela encontro um curral onde ela está a criar 22 leitões! Com as respectivas mães, que são só 2! A divisão das crias são 10 + 12!

Os animais todos vivaços por lá andam sempre em busca de algo para comer ou então a correr atrás da mãe a ver se são horas de mamar…  é giro ver os animais de um lado para o outro! Há para todos os gostos: os típicos, uns riscados, outros de tom castanho-escuro e um malhado! Muito mais giro e agradável é ver que ainda há pessoas com genica para este tipo de trabalho! Um abraço para a Fernanda Pinto!



Um abraço,
JC

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Homenagem à São Bandeira


Meus amigos, 

Chegou ao e-mail do blog de S. Paio, um texto escrito pelo Andurão. 
Um texto que revela o dia-a-dia de um homem que perdeu a sua companheira, a São Bandeira. A seu pedido, aqui fica na integra o seu e-mail.

Até já,
JC
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Meu caro amigo, muito grato pelo reconforto, para além do lamento, do sofrimento e de recordação da minha querida São, resta-me a escrita e o pensamento do que poderia ter feito! Ninguém pode ir contra o destino!

Em homenagem à minha querida São que faz hoje, dia 23, dois meses que a perdi, se não se importa publicar este texto.

DORMINDO PENSO SEMPRE EM TI
IMPLORO E LAMENTO NÃO ESTARES JUNTO DE MIM
PROCURO, MAS É IMPOSSÍVEL OUVIR-TE.

TUDO TOMA CONTA DE MIM, MESMO NO SILÊNCIO.
NADA POSSO OUVIR.

MAS QUANDO ABRO A JANELA
PARECE-ME ESCUTAR A VOZ DA MINHA PRINCESINHA
QUE O DESTINO LEVOU.

FIQUEI DESAMPARADO EM CHORO
NUMA BRISA QUE SECA MINHAS LÁGRIMAS
QUE CORREM PELO MEU ROSTO.

A VIDA ASSIM O QUIS,
ENTRE LAMENTO E REVOLTA VIVO O MOMENTO TRISTE
POR NÃO ESTARES JUNTO DE MIM.

ENTREGUE A ESTE SOFRIMENTO,
PENSO QUE ME DEVES LEVAR PARA TEU ACAMPAMENTO,
E ACABAR MEU SOFRIMENTO.

LAMENTO A SOLIDÃO CONDENADA
COMO EU FUI CONDENADO.

COM A TUA PARTIDA OBRIGA A LAMENTAR
COMO O MOVIMENTO DO VENTO
E SE ELE ME CONCEDER UM DESEJO
ME LEVE UM DIA PARA JUNTO DE TI.

MEU AMOR, EU TE AMO;
MINHA DOCE, AMADA E SACRIFICADA SÃOZINHA,
ESTARÁS ETERNAMENTE NO MEU CORAÇÃO.

LUDOVINO ANDURÃO 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

S. Martinho... o futuro da tradição!


Meus amigos,

Há quase mês e meio que não vou a S. Paio e as notícias também não abundam… Nesse sentido, tenho de me agarrar a textos de nostalgia e divagação pura por memórias e outros tempos.

Sendo assim, tenho alguns dentro da gaveta mas talvez o mais apropriado para a época seja falar sobre o S. Martinho.

Tenho algumas fotos recentes de castanheiros por S. Paio e outras que retirei de um site.

Mas a razão de eu ir falar do S. Martinho e de um belo magusto tem outra finalidade: mais uma vez falar de um costume antigo e que pode estar em vias de extinção. Estarei a falar dos castanheiros? Nãã…. A ameaça não virá daí!

Uma das actividades engraçadas lá por casa, ainda do tempo dos meus avós, era nesta época meter umas castanhas a assar em caruma, na lareira da casa do forno. O normal era fechar a porta e ficar da parte de fora a ouvir estoirar. 

A castanha assada na caruma fica com um sabor diferente… No forno do fogão tem um sabor, assada na lareira dentro de um assador tem outro sabor, mas metidas no meio da caruma…ninguém me tira esse sabor da cabeça! As mãos fuscas fazem parte do ritual. A acompanhar, água-pé… Alguém fez este ano? Com jeropiga também são boas. Jeropiga caseira, já lá vai o tempo em que bebia proveniente da Gândara de Cima.

Vamos por partes a partir deste ponto do texto! Falei de caruma, àgua-pé e jeropiga!

A primeira, é fácil prever que daqui a uns anos não haverá nem pinhal, pinhas e caruma… logo a ameaça de extinção! 

Falemos agora da água-pé! Ainda há muita gente que faz mas… de ano para ano a coisa vai ficando cada vez mais reduzida. A água-pé, chegou em tempos muito recuados a ser a bebida da população serviçal. Os patrões faziam o vinho e depois de retirar o mesmo do tanque, juntavam água e davam para os empregados. E mais não é do que isto! Depois do vinho tirado dos tanques para os pipos, o mosto é espalhado e mexido! Adiciona-se água! Volta-se a mexer bem e esmagar algum restante no mosto e deixa-se ferver. Retira-se para um pipo e aí esta a água-pé para se abrir no S. Martinho para acompanhar as castanhas. E dá para beber mais uns copos pois o teor alcoólico é mais reduzido! Hoje em dia já pouca gente faz… logo a ameaça de extinção!

A jeropiga, o trabalho de se fazer é quase o mesmo mas supõe que temos alguma bagaceira em casa! Ou seja, o que se faz é esmagar uvas bem maduras (brancas ou tintas conforme se quer jeropiga tinta ou branca), no dia seguinte tira-se para um pipo e junta-se a bagaceira. Normalmente numa proporção de 1:3 (ou seja, 3 partes de mosto esmagado para 1 parte de bagaceira). Deixa-se ficar tudo bem fechado e passado 3 ou 4 meses está pronto para consumo. Aqui não se deixem enganar pois esta bebida já não é água-pé! O teor alcoólico é muito superior… e como é uma bebida doce, engana! Fica doce pois quando se junta a aguardente ao mosto, esta vai parar a fermentação alcoólica que se estava a iniciar. Mais uma vez, já pouca gente faz… logo a ameaça de extinção!

A juntar a estas ameaças também está a nossa legislação! Pura e simplesmente, proíbe o fabrico e a comercialização destas bebidas… Devia ser como as touradas e a lei prever excepções para os casos em que as tradições populares estivessem em causa! 

Mas isto é a minha opinião! Mais fácil é arrancar tudo e pedir subsídio!

Resumindo, caruma, água-pé e jeropiga, qualquer dia não há nada!

Beijos e abraços e até já,
JC
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*as fotos das castanhas são de S. Paio, mas as outras 2 pertencem a outros blogues na internet.